sábado, 27 de outubro de 2007

MESTRE BIMBA


O ADEUS À BAHIA.
Antes de ir para Goiânia, no dia 28 de fevereiro de 1973, Bimba formou na Bahia a sua ùltima turma de capoeirista. A Formatura foi muito badalada pela imprensa, chamavam-na: “A Formatura do Adeus”, e foi realizada em Mataipe a pedido de um aluno formado, o “Vermelho” que inclusive comprou a “posse” da Academia do Mestre por Cr$ 5.000,00 pagáveis em parcelas.Nestre formatura todos viram que o Mestre não estava como de costume, sua alegria tão espontânea nestes dias não se fazia presente, Bimba tentava esconder a tristeza, disfarça-la em brincadeiras com seus alunos, mas não conseguia, a tristeza estava estampada em seus alhos, parecia que estava faltando alguma coisa. Para o Mestre aquilo não era uma simples formatura, uma festa, porém o Adeus! Houve até quem afirmasse que nesse dia o Mestre chorou. O Orador desta formatura foi o Vermelho e os Paraninfos (nesta foram dois a pedido do Mestre) Itapoan e Ezequiel. O Jogo do Orador com o Paraninfo foi realizado por Itapoan e Vermelho.Depois da formatura, Bimba foi embora , deixou a Bahia que tanto amou, mas, onde: “os poderes públicos nunca me ajudaram...”. Foi para Goiânia, para o seu “Eldora”, e como se enganou!...Depois que se foi, Bimba veio a Salvador apenas duas vezes, apresentando como motivos “tratar de negócio”, - vender uma casa que restara e receber uma das parcela da venda da “posse” da Academia. Na realidade Bimba sentiu saudades de sua terra, de seus alunos, do seu povo, do seu povo, do seu Esporte Clube Ypiranga, “time de macho”, do mar, e aproveitou a “deixa” para matar a saudade, e desta vez sim, despedir-se da sua Bahia.Encontrei-o na antiga Estação Rodoviária no dia em que ia voltar para Goiânia. Conversamos muito, eu, ele e o Alegria (um aluno formado) além de D. Nair (sua esposa) e seu filho Dermeval (Formiga). Ele falou que estava muito bem em Goiânia, ensinando e apresentando sempre. Já dona Nair nos disse: “Bimba foi enganado, não volta porque é muito orgulhoso”. Sentimos que realmente o Mestre não estava bem em Goiânia, pois o Alegria o encontrou em um ponto de ônibus, coisa que não fazia a vários anos, andando só de táxi. Para mim contou que viera para Salvador com apenas Cr$ 200,00 no bolso e que tinha pedido dinheiro emprestado para voltar. O filho dele, Manoel, me disse que chegando em Goiânia, Osvaldo de Souza (que o levou pra lá) tentou passar o Mestre para trás em shows e nas aulas, tendo assim o Mestre rompido a amizade, ficando entregue à própria sorte d. Alice, esposa, disse que assim que o Mestre morreu ela tratou de vir para Salvador, pois de falsidades ela já estava cheia! A verdade é que Bimba não estava bem em Goiânia.De inicio começou dando aulas de Capoeira com Osvaldo, a quem ele acha que não devia ter dado diploma antes do tempo, foi um erro! Este aluno veio buscá-lo na Bahia com um bocado de promessa, que não foram cumpridas: “...aquilo é um lobo. Eu lhe dei o diploma porque havia prometido que quando eu viesse para cá continuaria praticando comigo. Me prometeu duas casas completas. E o que é casa completa? É toda mobiliada na não? Teve dia em que eu com tanta gente para tratar, falava com ele lá na Jóquei e tinha a coragem de me dar dez cruzeiros”. “...meus filhos me diziam antes de vir: lá mainha vai poder ver televisão. Mas o lobo me enganou”. (Entrevista ao Diário de Brasília em 01 de outubro de 1973 – Título: “Encontro”).Dona Nair, esposa do Mestre, disse, em entrevista para o “Resgate da Capoeira Regional”: “Eu achei que não dava certo, era bastante ele falar que uma coisa entrava assim dentro de mim que eu só fazia chorar. Eu sabia que não ia dar certo, mas falava pra ele e ele falava pra mim que se eu quizesse ficar que ele vinha, trazia os filhos dele e me deixava pra lá.Ele sempre teve a cabeça dura, ele não ouvia conselho de pessoa nenhuma, só dele mesmo, mulher com ele não falava nada.Se tivesse ficado em Salvador eu estava bem melhor e ele não teria falecido, ainda estaria vivo.Ele não tava doente, sadio, forte, começou a dar aulas, trouxe 21 pessoas, o dinheiro que Osvaldo dava a ele era 10 cruzeiros, o dinheiro não dava e ele ficava revoltado, contrariado, reclamando. Tinha dia que ele saia e dizia que não tinha dinheiro nem para o pão. Ele foi ficando assim, não doente, o coração ficando fraco, uma doença assim que dava pra ele andar e tal. Levei ele a um médico no Hospital Geral que fez uns exames neles e disse que tivesse muito cuidado com ele, que o coração dele tava muito crescido. Mas pediu segredo, disse pra não dizer nada a ele e passou uma dieta.Às vezes ele levantava e ficava tonto, com vertigem, e pedia pra segura-lo. Quando melhorava era naquela correria pra sair novamente.Ele foi piorando, ficava assim meio de cama, mas levantava. Um dia ele me pediu para ir a Salvador ver se o compadre dele, que comprou um casa na mão dele, tinha colocado o dinheiro no banco. Não tinha. Quando eu estava lá recebi um recado pra voltar que o Mestre tinha passado muito mal. Quando eu estava lá recebi um recado pra voltar que o Mestre tinha passado muito mal. Quando voltei ele não estava mais na casa dele, do Mestre. O dono aparecer e pediu a casa pois o Osvaldo não tinha pago o aluguel... A casa que fui morar quando aqui cheguei, a que o Osvaldo disse que tinha comprado pra nós, tinha tanta lama no chão que eu tirei de balde. Uma vizinha me emprestou uma cama, pois os móveis que ele afirmou que comprou era conversa. Então o Mestre foi piorando, piorando e um dia de noite ele saiu para fazer uma apresentação, quando voltou passou mal e vomitou bastante. De manhã levaram ele para o Hospital Geral, jogaram ele lá como indigente, como vagabundo. De manha Nalvinha me avisou e eu sae de lá de casa, a pé, não tinha um centavo para o transporte, cheguei, às 11:45, levei os papes dele, Aí transferiram ele para o Hospital São Francisco, não tinha dinheiro pra pagar, mandaram pra outro Hospital, não tinha dinheiro pra pagar, aí terminou com ele de volta para o Hospital Geral. Aí não tinha mais jeito. Quando falou pediu pra levar o Luisinho pra ele ver. Levei. Ele ficou queito olhando, passou os olhos assim e as lágrima começaram a cair. O médico pediu pra tirar o Luís. Passou só três dias no hospital e morreu . eu pedi ao Jaci Fernandes que conseguisse um balão de oxigênio pra ele, o Jaci não tinha dinheiro pra pagar, não conseguiu. Se conseguisse acho que ele estava vivo até hoje.Bimba era Ogan de Candoblé, podia raspar santo, jogava búzios muito bem, ele podia fazer isso e outras coisa, ele tinha a força, era de Xangô. E por causa dessa força que ele deixou lá em Salvador é que ele se acabou, não foi só a doença não, é coisa da religião dele também. Quando veio pra Goiânia ele não cumpriu suas obrigações em Salvador, você sabe que todo ano ele dava comida pra Xangô, quando ele chegou aqui nunca mais ele fez. Xangô não gostou muito e tirou e o pé fora”...”.Em Goiânia o Mestre, apesar das dificuldades, deixou um grande número de praticante da Capoeira Regional. Muito querido por seus alunos, que o veneram até hoje, ele ensinou na Academia de Osvaldo Souza (com o qual desentendeu, chegando, segundo seu filho Dermeval, a expulsá-lo de casa e tentando agredi-lo só não o fazendo devido a interferência de terceiros e a covardia de Osvaldo. A briga, segundo Dermeval, foi por causa de uma apresentação, pois o Osvaldo acerto o show por um preço e disse ao Mestre outro, bem menor. Um aluno, sabedor disso, “entregou” o Osvaldo ao Mestre e confirmou em sua presença), ensinou também no Jóquei Clube (cobrando dez cruzeiros por aluno), no D.C.E., na Escola Superior de Educação Física e finalmente na Academia de Hugo Nakamura, que vendo as dificuldades por que passava o Mestre Bimba, oferenceu uma sala, grátis, para o Mestre ensinar a sua Capoeira Regional. Segundo “Deputado”, um aluno formado por Mestre Bimba em Goiânia, Bimba formou duas turmas em Goiás.Em 05 de fevereiro de 1974, um ano que depois que deixou a Bahia, morria o Mestre Bimba: - “No sábado pela manhã Bimba se encontrava meio adoentado, mas aceitou fazer uma demonstração à tarde no Clube dos Funcionários Públicos de Goiás, por Cr$ 2.500,00 mostrando, como sempre fez, todo a sua arte de capoeirista baiano, toda a arte de ser o maior capoeirista do Brasil, o “Papa da Capoeira”m uma unanimidade, o homem que estava na agenda de qualquer turista que visitasse Salvador, atração turística só comparada, na Bahia, a Igreja do Bomfim e as suas e as suas praia. – logo após o espetáculo sentiu-se mal e foi levado para casa. No domingo foi levado para o Hospital São Jorge com derrame cerebral, como não tinha cartão do INPS ou dinheiro, foi removido para o Hospital da Universidade de Goiás onde veio a falecer”. – Morreu o Manoel do Reis Machado, morreu o Mestre Bimba, a maior figura folclórica da Bahia, a maior figura que a Capoeira já produziu. O homem que se vestia de mulher para jogar cartas, bater na polícia e não ser reconhecimento depois, o homem que depois de uma briga qualquer era procurando pelas “forças” e “passava as noites em cima de uma Jaqueira, todo amarrado em um galho pra não cair durante o sono”. O homem que elevou a Capoeira de “status”, que a tirou “de baixo do pé do boi” como gostava de dizer, que introduziu nos meios universitários e sócias de Salvador a Capoeira Regional, que foi filmado por turista do mundo inteiro, que foi citado em enciclopédias, que recebia cartas de Érico Veríssimo e Monteiro Lobato incentivando-o. O homem que teve mais de vinte filhos e vários mulheres. Está morto o Mestre Bimba, o “Banzo” (doença da saudade) o matou! Seu corpo foi sepultado no Cemitério Parque de Goiânia. Está morto o homem que além de ser o maior capoeirista do Brasil, era também Ogan de Candomblé, era o capoeirista procurando proteção junto aos Orixás, sendo protegido pelo seu Santo, o Deus da Guerra, o poderoso Xangô.
No seu enterro o seu aluno Jaci Fernandes Sobrinho tocou o Berimbau preferido do Mestre e colocou junto ao seu corpo. Seus filhos, Demerval (16 anos) e Manoel (13 anos) jogaram Capoeira pela última vez frente ao pai. Bimba está sepultado em Goiânia, pois quando saiu da Bahia disse: “...não voltarei mais, aqui nunca fui lembrado pelos poderes públicos, se não gozar de nada em Goiás, vou gozar do seu Cemitério”. Era o golpe de Mestre aplicado à Bahia por um de seus filhos mais ilustres, Bimba partiu protestando. Na Bahia as escolas de capoeira e artes marciais fecharam suas portas por sete dias em homenagem aquele homem que era querido por muitos, odiado por poucos, mas adorado e respeitado por todos.
Em Salvador Bimba recebeu algumas homenagens depois de morto: a rua Nordeste em Amaralina hoje chama-se Mestre Bimba; o Shopping Iguatemi colocou uma placa com seu nome em uma das suas alamedas internas; a Prefeitura do Salvador colocou um monumento simbolizando um Berimbau, tendo ao centro um medalhão de bronze com o rosto do Mestre cunhado, é a Praça Mestre Bimba; é o Patrono da ABPC – Associação Brasileira dos Professores de Capoeira; a data de fundação da Federação Bahiana de Capoeira é 23 de novembro, uma homenagem ao seu nascimento; no dia 22 de março de 1994 foi lançada a FUNDAÇÂO MESTRE BIMBA.
O auditório da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia abriu suas portas para receber os convidados: ex-alunos do Mestre, intelectuais, Mestre outros e a população capoeirística em geral.
Discursaram na oportunidade: Manoel Nascimento Machado (Nenel) e Dermerval dos Santos Machado (Formiga), filhos do Mestre Bimba, Eraldo Dias Moura Costa (Medicina) e Ângelo Augusto Decânio Filho que emocionado comoveu a todos pelas palavras de carinho e respeitado para com o Mestre Bimba, a quem chamou de pai. Aos 71 anos o Dr. Decânio, que começou a aprender com o Mestre no quartel do CPOR em 1938, demonstrou a todos o espírito dos ex-alunos, que apesar do tempo e a distância continuam a cultuar o Mito Mestre Bimba como se aqui ele estivesse.
Compareceram os ex-alunos: Decânio, Senna, Medicina, Piloto, Formiga, Nenel, Chapéu Vermelho, Menezes, Itapoan, Boinha, Gigante, Angoleiro, Borracha, Cafuné, Xaréu, além de D. Alice (esposa do Mestre), Nalvinha e Helenita (filhas) e Edinha (filha de D. Alice).
Depois disso tudo continuo a acreditar que ele está mais vivo que antes, que a Capoeira Regional, sua Luta, jamais será esquecida por quem quer que seja praticante de Capoeira.

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PATRIMÔNIO CULTURAL:

Patrimônio cultural é o conjunto de todos o bens, materiais ou imateriais, que, pelo seu valor próprio, devam ser considerados de interesse relevante para a permanência e a identidade da cultura de um povo.

O património é a nossa herança do passado, com que vivemos hoje, e que passamos às gerações vindouras.

Do património cultural fazem parte bens imóveis tais como castelos, igrejas, casas, praças, conjuntos urbanos, e ainda locais dotados de expressivo valor para a história, a arqueologia, a paleontologia e a ciência em geral. Nos bens móveis incluem-se, por exemplo, pinturas, esculturas e artesanato. Nos bens imateriais considera-se a literatura, a música, o folclore, a linguagem e os costumes.

MACULELÊ:

É o maculelê uma dança de origem Afro-indígena, pois foi trazida pelos negros da África para cá e aqui foi mesclada com alguma coisa da cultura dos índios que aqui já viviam. Os africanos diziam que esta dança era mais uma forma de luta contra os horrores da escravidão e do cativeiro. Enquanto os negros dançavam com os cepos de cana no meio do canavial, cantavam músicas que evidenciavam o ódio. Porém, eles as cantavam nos dialetos que trouxeram da África para que os feitores não entendessem o sentido das palavras. Assim como a "brincadeira de Angola" camuflou a periculosidade dos movimentos da capoeira, a dança do maculelê também era uma maneira de esconder os perigos das porretadas desta dança. Aos golpes e investidas dos feitores contra os negros, estes se defendiam com largas cruzadas de pernas e fortes porretadas que atingiam principalmente a cabeça ou as pernas dos feitores de acordo com o abaixar e levantar do negro com os porretes em punho. Além desta defesa, os negros pulavam de um lado pro outro dificultando o assédio do feitor. Para as lutas travadas durante o dia, os negros treinavam durante a noite nos terreiros das senzalas com paus em chama que retiravam das fogueiras, trazendo ainda mais perigo para o agressor. O maculelê pode ser feito com porretes de pau, facões ou facas, mas, alguns grupos praticam o maculelê com tochas de fogo ou "tições" retirados na hora de uma fogueira que também fica no meio da roda junto com os dançarinos. O maculelê é portanto, um bailado guerreiro que foi desenvolvido por homens negros, compreendendo dançadores e cantadores, todos comandados por um mestre, denominado “macota”. Os participantes usam um bastão de madeira com cerca de 60 cm de comprimento, exceto o macota, que tem um mais longo. Os bastões são batidos uns nos outros, em ritmo forte e compassado. Estas pancadas presidem toda a dança, funcionando como marcadoras do pulso musical.

PERCA 500 CALORIAS EM UMA AULA DE CAPOEIRA

Tipicamente brasileira, esta técnica é capaz de modelar o seu corpo!

Ao som do berimbau, a capoeira faz o praticante perder 500 calorias em uma hora de aula. Se interessou? De acordo com os mestres da capoeira, a perda de calorias vai depender da intensidade que o praticante der aos movimentos. Dentre os exercícios estão a musculação e o alongamento, que ajudam a melhorar a flexibilidade do praticante. De acordo com o Mestre Boneco, esta arte/luta trabalha proporcionalmente toda a musculatura do corpo.

Entre os benefícios da prática da capoeira, estão: a diminuição da tensão, velocidade corporal, força muscular equilíbrio, ritmo, coordenação, lateralidade e modelar a musculatura do abdômen. Um aluno que pratica capoeira por três vezes na semana desenvolve uma melhora no sistema cardiorrespiratório.

Outro ponto importante da capoeira é a melhora da capacidade de resistência cardiovascular. A atividade pode interferir até mesmo no lado emocional da pessoa, tornando-a mais alegre e disposta para o dia-a-dia, e ainda tornar a musculatura do praticante mais alongada.

Se comparada a outros esportes como basquete e futebol e a exercícios aeróbicos, ela exige do praticante quase os mesmos recursos como agilidade, flexibilidade, força, ritmo, equilíbrio, velocidade, coordenação, resistência e outros.

Outro ponto da capoeira é benéfico para pessoas de todas as idades. Ela ajuda seu praticante a liberar a agressividade, ainda que não estimule a violência, ajudando-o a desenvolver o autocontrole e a criatividade.

Em junho será realizado, no Rio de Janeiro, o Fórum Internacional de Capoeira 2011. Organizado pelo capoeirista Beto Simas, mais conhecido como Mestre Boneco, alunos, professores e Mestres de diversos grupos de capoeira e de vários países, além de historiadores e autoridades esportivas, discutirão a evolução e uma possível inclusão da capoeira como esporte olímpico.

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